Jonas Blue

Numa era em que uma carreira se constrói lentamente, Jonas Blue foge à regra. Em apenas três anos, o DJ foi cinco vezes nomeado para os Brit Awards, tornando-se num fenómeno enquanto compositor, produtor e intérprete, com mais de 6 mil milhões de transmissões feitas e 35 milhões de singles vendidos. Jonas podia ter continuado como artista a solo, somando sucessos de platina e assistindo ao crescimento da sua reputação enquanto compositor, produtor, DJ e caça talentos. No entanto, Jonas – também conhecido como Londoner Guy Robin – nunca optou pelo caminho mais fácil. Foi então que começou a trabalhar com cantores desconhecidos, com o objetivo de os ajudar a lançar as suas carreiras, em vez de,

simplesmente, se juntar a artistas conhecidos. Esta estratégia fez com que nenhuma das suas músicas fosse idêntica, até porque recusa-se a ser definido por apenas um género musical. Ele quer surpeender!

“Blue” foi o seu álbum de estreia, lançado em novembro de 2018, o qual lhe permitiu ir mais além. Fez uma tour para os fãs e mostrou novos talentos ao mundo. O trabalho contou com 15 músicas, 7 temas com grande sucesso e os restantes 8 que o levaram a explorar novas áreas, e 21 artistas convidados. O resultado é impressionante e prova que o homem com o toque de Midas está apenas a começar.

“Durante muito tempo, não acreditei em álbuns”, admite Guy. “Achava os singles mais interessantes. Todos os meses queria seguir em frente e continuar a olhar o futuro. Mas o meu percurso não foi apenas de sucessos. Se fosse, tinha feito quinze “Fast Cars” ou seis “Perfect Strangers”, e teria contava com colaborações importantes em cada tema.”

“Passados três anos, estou concentrado para não criar músicas repetidas. No álbum “Blue” aprofundei géneros de música diferentes e experimentei novas técnicas de composição. Trabalhei com vários vocalistas incríveis que me inspiraram de uma forma que nem eu esperava. Aliás, existem várias colaborações que ninguém imagina”.

“Alguns dos meus sucessos estão no álbum, mas a maneira como organizei a lista de temas assemelha-se a um DJ set. A ideia é conduzir as pessoas numa viagem. Elas conhecem alguns lugares, mas não a maioria deles. A maneira como as duas partes se misturam foi a parte mais divertida da produção do álbum”.

Autor de um dos maiores sucessos mundiais do verão, o indiscutível “Rise”, que contou com a participação de Jack & Jack, Jonas Blue dominou o outono com “Polaroid”, numa tão aguardada colaboração com Liam Payne. Fiel ao seu estilo, Jonas surpreendeu tudo e todos com um remix com Lennon Stella, atriz da série televisiva Nashville, fazendo a sua estreia no mundo da música pop. “Queria trabalhar com Liam há muito tempo – eu amava 1D”, confessa Guy. “Pouco antes do Natal do ano passado, estávamos no mesmo evento de rádio, em Birmingham, e conversámos sobre trabalhar juntos.”

“Quando comecei a escrever “Polaroid”, com JP Cooper, tínhamos a voz de Liam em mente, mas não queríamos uma colaboração típica com uma estrela pop/produtor. Então, fomos à procura de outro convidado que pudesse dar à música uma dinâmica completamente diferente.”

“Alguém sugeriu a Lennon e eu pedi-lhe que me enviasse um gravação por telefone. Assim que a ouvi, soube que ela era a pessoa certa. Ela veio para Londres e gravou no mesmo dia que Liam. Inicialmente, ela estava pronta para cantar o segundo verso, mas o som das duas vozes juntas foi tão bom que ela acabou por participar em toda a música, fazendo um dueto no refrão.”

Blue esforça-se, constantemente, por ser diferente. Com as participações de Chelcee Grimes (futebolista profissional que já co-escreveu sucessos para Dua Lipa, Kesha e Kylie), de TINI, atriz argentina que é estrela da Latin Disney, e de Jhay Cortez, rapper porto-riquenho vencedor de um Grammy, o tema “Wild” leva Jonas Blue a aventurar-se por uma sonoridade mais carnavalesca. “Wild foi escrito durante a minha primeira sessão com Steve Mac e Chelcee”, conta Guy. “A voz de Chelcee é da demo feita no dia – ficou tão bem que tive de mantê-la. Como a música tinha uma vibe de festa, queria várias vozes lá. Então criámos um pré-refrão, com a TINI. Depois, convencemos Jhay a adicionar o rap”.

“Tanto Jhay quanto TINI são grandes estrelas latinas, artistas com quem nunca pensei trabalhar. Juntar as pessoas é o que amo fazer. Nunca sabes o que vai acontecer nem se vai dar resultado, mas quando funciona sabes que criaste algo novo”.

Entre as surpresas sonoras do álbum “Blue” estão os temas “Desperate”, com a ex-cantora pop-folk escocesa Nina Nesbitt, e “Supernova”, com a potente voz de Charlotte OC, que saltou para a ribalta nos primórdios dos anos 2000, antes da sua carreira parar. “Desperate é um tipo de música muito diferente para mim”, diz Guy. “Foi escrita em Los Angeles, com Julia Michaels. Deixei-a assumir a liderança. A sua técnica é tão diferente da minha que foi a minha oportunidade de aprender. A parte inicial é inspirada numa das minhas músicas favoritas, “Cry Me A River”, de Justin Timberlake”.

“Eu queria trabalhar com a Nina há muito tempo. Adoro a voz dela e, embora a sua carreira não tenha crescido como o esperado, sabia que um talento como o dela voltaria a emergir. Neste momento, ela está a rebentar com a sua nova música, e nós produzimos um tema que é diferente de qualquer outro que já experimentámos”, refere. “O mesmo se passa com a Charlotte. Não conhecia muito sobre o passado dela. Escrevi a música “Supernova” com Teddy Sinclair, que já não está no ativo, e estava à procura de uma voz semelhante à dele. Foi quando o nome da Charlotte surgiu. Ela veio ao meu

estúdio e surpreendeu-me. Há definitivamente um toque de Cher na voz de Charlotte, em “Supernova”. Ela será uma estrela no futuro”.

O álbum “Blue” abre com o tema “Drink To You”, com Zac Abel. É um “brinde” ao facto de Jonas Blue ter decidido produzir o álbum. Ele termina com “Fast Car”, o single de estreia que alavancou a carreira de Guy, em 2016.

Muita coisa mudou na vida de um homem que, até 2017, fazia música na garagem do pai. No entanto, a sua motivação continua a mesma. A sua produtora, a Blue Future, foi criada com o intuito de promover novos talentos que ele e o seu agente, Aaron Ross, continuam a descobrir, tarefa que o faz viajar pelo mundo durante todo o ano. Guy poderia dar-se ao luxo de parar e viver dos louros do passado, mas para Jonas Blue isso não é sequer opção.